Por Thayla Bicalho Bertolozzi, doutoranda no Instituto de Relações Internacionais (IRI) e graduanda da Faculdade de Direito (FD) da USP, fundadora da Pause & Pense
Publicado em 11.10.2026 e atualizado em 14.10.2026 às 09:45
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Na semana de 23 de setembro de 2026, a Meta desabilitou a conta de anúncios da campanha de Lula com uma notificação genérica, segundo a qual “algumas das suas atividades não seguem nossas regras”. No mesmo dia, o Instagram derrubou o perfil Revelando Brasil, que publicara um episódio sobre o caso Banco Master e suas conexões políticas. A conta voltou horas depois, com pedido de desculpas e sem explicação da regra violada. O primeiro turno terminou com Flávio Bolsonaro em 47,03% e Lula em 45,16%. Em meio a uma disputa tão estreita, a pergunta sobre quem decide o que o eleitor vê deixa de ser meramente acadêmica.
Parte da resposta é conhecida: empresas privadas, sediadas em outro país, muitas vezes não oferecem prestação de contas compatível com o poder que exercem. A parte incômoda é que esse poder não opera no vácuo geopolítico. Opera num momento em que o governo dos Estados Unidos trata a regulação de plataformas como questão de política externa, e em que o Brasil disputa bilhões de dólares em infraestrutura digital que pode afetar sua soberania, a existência de comunidades locais, tradicionais e povos originários, bem como de todos nós.
Moderação de conteúdo sem devido processo é soberania terceirizada
A literatura é categórica sobre o que se espera de uma moderação legítima: notificação, motivação, recurso e números públicos. Os Princípios de Santa Clara 2.0 (de 2021), os Princípios Aequitas sobre Devido Processo Online e os Princípios de Manila sobre moderação e responsabilidade de intermediários (2015) existem exatamente para isso, e as recentes diretrizes do CGI.br (para além do Decálogo que já existia há mais tempo) para a regulação de plataformas os traduzem para o contexto brasileiro.
Não são artigos simplesmente acadêmicos, mas diretrizes elaboradas com ampla discussão internacional e multissetorial, ouvindo também empresas privadas, poder público, a sociedade civil e o terceiro setor. Todas exigem o mesmo: transparência sobre regras internas e sobre a composição das equipes de moderação no país, proteção ao devido processo, com revisão humana e direito à reparação, e cuidado reforçado em períodos eleitorais, conforme Diretrizes 6, 39, 4 e 10 do CGI.
O que se vê, contudo, é o oposto. O Observatório da Moderação do IRIS avaliou cinco plataformas em oito obrigações de transparência da Resolução TSE nº 23.610: só 47,5% das avaliações foram cumpridas integralmente, e a menos atendida é justamente a prestação de contas sobre o resultado da moderação contra a desinformação eleitoral. Rená resume o padrão como um loop sem condição de saída: o perfil cai, volta, a empresa pede desculpas, ninguém explica nada e o caso seguinte reproduz o anterior. Ainda é uma “caixa-preta”.
Não se trata de falha pontual. Em “The Politics of Platform Regulation” (2024), Gorwa descreve essa estratégia como a mais barata e a menos transparente: pressão de bastidor, canais privilegiados, relações pessoais entre governos e executivos. Albuquerque e Lima (2024) também demonstram, a partir do programa cross-check da Meta, como existem camadas de moderação para perfis de alto impacto cujos critérios eram opacos até para o Comitê de Supervisão, o que favorece uma “liberdade de expressão high-profile”. Quando o critério não é público, qualquer coincidência política vira suspeita, e a empresa não tem como se defender já que nunca precisou se explicar. Uma boa política pública exigiria justamente a participação de todas as vozes afetadas, e não só a das empresas.
Dólares e anúncios que passam por filtros
Entre 16 de agosto e 30 de setembro, ao menos 1.069 anúncios mencionando Lula ou Flávio circularam sem o rótulo de conteúdo político exigido pela própria Meta, financiados em dólar, com ao menos US$120,8 mil e mais de 82 milhões de impressões antes da remoção. Parte foi paga por uma plataforma sediada em Delaware, o que viola a norma eleitoral que proíbe impulsionamento por terceiros, segundo informações da Agência Pública. Em teste da Anistia Internacional, oito de 15 anúncios com desinformação eleitoral foram aprovados pelo Facebook, inclusive um defendendo “revolução militar”, e a conta nem tinha verificação de identidade. A ONG britânica Ekō relatou resultado parecido: 13 de 15 anúncios falsos, criados com IA e pagos dos EUA, foram aprovados. A Meta respondeu, então, que a amostra era “muito pequena” e que os anúncios nunca foram exibidos. A resposta até seria razoável como crítica metodológica, mas é incompleta, já que o teste mostrou que a porta estava aberta.
Isso importa ainda mais porque as campanhas se tornaram dependentes. Meta, Google e as intermediadoras de pagamento já faturaram R$838 milhões com eleições brasileiras desde 2014, e uma coordenadora ouvida por Motoryn (2026), em matéria especial para a Ctrl+Z, afirma que hoje 80% do orçamento de sua campanha vai para a Meta, sem nenhum ponto de contato real dentro da empresa. A literatura já classificou esse arranjo como uma das raízes do dano algorítmico: plataformas que fortalecem o próprio poder sobre usuários e mercados, e anunciantes opacos e discriminatórios que a infraestrutura de anúncios torna possíveis. Com poucas plataformas distintas com o mesmo poder, há um viés ainda maior para somente um lado.
Seletividade algorítmica: o que se sabe e o que a opacidade impede de saber
Deputados do PL somam 210 milhões de seguidores contra 72 milhões dos do PT e aliados. Flávio Bolsonaro ganhou 1,2 milhão de seguidores desde o primeiro turno, Lula 392 mil, e as postagens do primeiro tiveram em média 448 mil interações contra 102 mil, segundo Aline Calamara (2026). O PT afirma, em estudo interno, que a página de Flávio tem 2,96 vezes mais engajamento que a de Lula com 17,2% menos seguidores. O ministro Marco Aurélio Bellizze (TSE) deu 48 horas para a Meta provar que tratou os dois candidatos de forma igual, e pediu ainda os logs de moderação e esclarecimentos sobre “anomalias” nas métricas de visualização.
Convém sermos rigorosos: esses números não permitem separar engajamento orgânico, recomendação algorítmica, compra de alcance e práticas irregulares. Estudos mostram que plataformas diferentes privilegiam fontes diferentes (o Twitter, em 2020, à época da análise, privilegiava as hiperpartidárias; o Google, as liberais) e que o problema muda conforme a métrica. Mas isso também muda com o tempo, assim como com as mudanças nessas plataformas e nos cargos de seus líderes – como o Twitter ao se transformar em “X” na Era Musk, tornando-se cada vez mais disseminadora de discurso de ódio. Alguns autores também lembram que ninguém, nem a academia nem as agências de inteligência, consegue medir com segurança se campanhas assim mudam votos, justamente porque os dados estão sob controle das empresas. É esse o ponto: quem alega favorecimento não tem como provar e quem nega não tem como ser auditado. A diretriz 8 do CGI.br e o artigo de Gray et al. (2024) sobre “boa política pública” apontam a saída: acesso garantido por lei a pesquisadores credenciados, e não por mera boa vontade corporativa.
As experiências de, sobretudo, 2018 e 2022 já deveriam ter nos ensinado algo. Acadêmicos vêm estudando e publicando sobre há ainda mais tempo. Já era sabido que as plataformas aplicaram aqui o roteiro das eleições americanas de 2020, tratando a violência política como “desinformação eleitoral” e não como o apelo a golpe militar que ela era no Brasil, onde a memória da ditadura de 1964 ainda é disputa aberta: as plataformas moderaram sem memória histórica; mas nós temos. Ou ao menos deveríamos ter.
A maior parte dos pedidos de intervenção militar, à época, ficou sem nenhuma moderação, e o planejamento do 8 de janeiro foi se refugiando no Telegram, que não tinha política alguma para o caso, além de transmissões no YouTube, Discord, Twitch e outras redes. Já sabíamos, olhando a eleição de 2022, que os relatórios das empresas diziam muito pouco sobre a implementação real das políticas. A isso De Keulenaar e Santos Jr (2025) chamam de “deslocamento normativo”: padrões moldados por outro país, aplicados sem a história do país onde incidem.
Soberania, datacenters e a geopolítica por trás do feed
Olhemos para a infraestrutura. O Brasil disputa ser o centro latino-americano de computação para IA, e o Rio AI City (US$65 bilhões) e outros projetos esperam a aprovação do Redata. Segundo a Bloomberg, parte das grandes empresas aguarda o fim da eleição antes de se comprometer, num contexto de tensão entre Lula e Trump, que impôs tarifas em julho. Os dois candidatos defendem, em alguma medida, incentivos a data centers. A maior diferença está, todavia, no que Washington espera de cada um.
A Abin elevou ao “nível de criticidade” a possibilidade de interferência dos EUA, que enxergam o governo Lula como obstáculo à hegemonia na região; o governo brasileiro cita ainda a reunião do consulado em São Paulo com influenciadores de direita, o relatório do Departamento de Estado sobre facções e as exigências, reveladas pelo Estadão, sobre “dissidentes políticos” nas eleições, vide matéria da BBC News Brasil. À Revista Liberta, Green (2026) lê as tarifas, o apoio às alegações de fraude eleitoral e a recusa de vistos como partes de uma mesma ofensiva. Voltamos, então, ao que a literatura já explicava como método: a interferência externa raramente hackeia urnas (não literalmente) ao pegar fissuras que já existiam e ampliá-las. Gorwa (2024) também já havia observado que a ausência de pressão dos governos-sede sobre outros países era uma peculiaridade dos casos que estudou e que poderia mudar, e o caso brasileiro sugere que mudou. Zuckerberg anunciou em janeiro de 2025, por exemplo, que trabalharia com o governo Trump contra países que pressionassem empresas americanas, citando “tribunais secretos” na América Latina. Mudar, portanto, mudou. Mas mudou para pior.
Provar que Meta e Google favorecem Flávio Bolsonaro para atender a interesses de infraestrutura exigiria dados que ninguém possui. Seria um ônus altíssimo para toda a sociedade. A PF arquivou a apuração sobre financiamento estrangeiro à campanha dele e a existência de financiamento ilegal não está comprovada. O que está documentado, e o que podemos afirmar, é que há uma convergência: um candidato que declara querer se aproximar de Washington, um governo americano que trata a regulação brasileira de plataformas como agressão, empresas que decidem o alcance do debate sem auditoria e um Brasil cujas diretrizes de soberania digital (representação legal, acesso a dados, controle de dados estratégicos, tecnologia nacional) seguem no papel (CGI.br, 2026, diretrizes 1 a 5 e 22).
A judicialização como atalho
Há, ainda, o outro lado da moeda. No domingo (11), o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, atendeu pedido de Flávio e mandou o WhatsApp suspender, em três horas, o canal “Exército do Lula”, administrado por André Janones, até a homologação do segundo turno. A decisão passou por cima do corregedor, que na véspera havia dado cinco dias para manifestação das partes. A campanha de Flávio alega que o canal coordenava desinformação, o que Janones nega, argumentando que o canal só estava na fase de inclusão de perfis e que nenhuma notícia fora divulgada. Dias antes, o referido ministro também já havia suspendido propaganda do PT que associava Flávio ao caso Master. Reviravoltas ocorreram e o ministro Cueva proferiu decisão liminar para manter o referido canal, decisão esta que foi revogada pelo Presidente do TSE Nunes Marques em seguida, justamente 48 horas antes da votação do fim da escala 6x1, coincidentemente ou não.
Pode haver razões legítimas para limitar uma eventual coordenação desinformativa, e o PT também recorre ao TSE contra a Meta. Mas uma suspensão monocrática, anterior à defesa e com efeito durante todo o segundo turno, é o oposto do que as diretrizes do CGI.br pedem: contraditório, proporcionalidade, remoção como último recurso (diretriz 39). Diversos perfis também vêm sendo banidos ou restringidos em alcance sem justificativas claras, o que vem sendo denunciado a organizações e ativistas como a Ctrl+Z ("Tira a Mão") e a Código Não Binário (Trava Hacker – plataforma e hashtag “De Olho na Meta”).
O problema real não é a escolha entre banir e não fazer nada. É a remoção arbitrária. Derrubar páginas de apoiadores de Lula por provocação de quem é adversário e favorecido pelo ambiente digital cria o precedente de que o devido processo depende de quem pede. E, quando a plataforma (lembremos: privada e estrangeira) decide sozinha, o problema é ainda maior: lembremos que o Discord pontuou em 0,12 uma live que antecedeu o suicídio transmitido de uma adolescente, com limiar de acionamento em 0,95, sem que ninguém de fora pudesse conferir. Um critério oculto e com apelação ausente ou dificultosa, em qualquer área, pode ser fatal. À democracia e à vida.
Em suma
Ultrapassamos, há muito, o dilema “esquerda contra direita”. De fato, a assimetria de 2026 favorece quem tem mais seguidores, mais dinheiro e mais amigos em Washington. Mas há também um problema de poder sem prestação de contas. O Brasil já sabe o que fazer: o PL 2630 morreu em 2023 e deixou o país com um Marco Civil pensado para outra época, ainda tentando ser revisitado e repensado às custas do STF, enquanto as diretrizes do CGI.br oferecem um roteiro multissetorial pronto (2026, diretrizes 6, 8, 10, 39, 43 e 46), mas sem força de lei. Faltam vontade política, poder de enforcement e coragem diante de quem hoje controla o feed e a nuvem.
Um país que audita as urnas (e se preocupa excessivamente com voto impresso), mas terceiriza o feed, controla o fim da eleição e aluga o começo. Soberania que só começa no dia da votação não é soberania.
Auditar com rigor o ato de apertar o botão verde, mas ignorar o processo de formação do voto – o que o eleitor leu, viu e sentiu até chegar a ele, moderado e impulsionado por empresas estrangeiras privadas –, bastando confiar em quem lucra como resposta, ainda é deixar o começo nas mãos de terceiros.
As urnas seguirão sendo nossas. O feed, não.
ENGLISH VERSION
By Thayla Bicalho Bertolozzi, PhD candidate at the Institute of International Relations (IRI) and undergraduate student at the Law School (FD) of USP, founder of Pause & Pense
Published on 11.10.2026 and updated on 14.10.2026 at 9:45 a.m.
During the week of September 23, 2026, Meta disabled the ad account of Lula’s campaign with a generic notification stating that “some of your activities do not follow our rules.” On the same day, Instagram took down the profile Revelando Brasil, which had published an episode on the Banco Master case and its political connections. The account came back hours later, with an apology and no explanation of the rule that had been violated. The first round ended with Flávio Bolsonaro at 47.03% and Lula at 45.16%. In such a tight race, the question of who decides what voters see is no longer merely academic.
Part of the answer is well known: private companies, headquartered in another country, often offer no accountability commensurate with the power they wield. The uncomfortable part is that this power does not operate in a geopolitical vacuum. It operates at a time when the United States government treats platform regulation as a matter of foreign policy, and when Brazil is competing for billions of dollars in digital infrastructure that may affect its sovereignty, the existence of local communities, traditional peoples and Indigenous peoples, and all of us.
Content moderation without due process is outsourced sovereignty
The literature is categorical about what legitimate moderation requires: notification, a statement of reasons, appeal, and public figures. The Santa Clara Principles 2.0 (2021), the Aequitas Principles on Online Due Process, and the Manila Principles on moderation and intermediary liability (2015) exist precisely for this purpose, and the recent CGI.br guidelines for platform regulation (in addition to the Decalogue that has existed for longer) translate them to the Brazilian context.
These are not merely academic papers, but guidelines developed through broad international and multistakeholder discussion, which also heard from private companies, public authorities, civil society and the third sector. All of them demand the same things: transparency about internal rules and about the composition of moderation teams in the country; protection of due process, with human review and the right to redress; and heightened care during election periods, according to CGI Guidelines 6, 39, 4 and 10.
What we see, however, is the opposite. IRIS’s Moderation Observatory assessed five platforms against eight transparency obligations in TSE Resolution No. 23,610: only 47.5% of the assessments were fully met, and the least-met obligation is precisely reporting on the outcomes of moderation against electoral disinformation. Rená sums up the pattern as a loop with no exit condition: the profile goes down, comes back, the company apologizes, nobody explains anything, and the next case repeats the last. It is still a “black box.”
This is not an isolated failure. In “The Politics of Platform Regulation” (2024), Gorwa describes this strategy as the cheapest and least transparent: behind-the-scenes pressure, privileged channels, personal relationships between governments and executives. Albuquerque and Lima (2024) also demonstrate, based on Meta’s cross-check program, that there are layers of moderation for high-impact profiles whose criteria were opaque even to the Oversight Board, which favors a “high-profile free speech.” When the criteria are not public, any political coincidence becomes suspect, and the company has no way to defend itself because it has never had to explain itself. Good public policy would require precisely the participation of all affected voices, not just those of the companies.
Dollars and ads that pass through filters
Between August 16 and September 30, at least 1,069 ads mentioning Lula or Flávio circulated without the political-content label required by Meta’s own rules, paid for in dollars, with at least US$120.8 thousand and more than 82 million impressions before removal. Part of them was paid for by a platform headquartered in Delaware, which violates the electoral rule prohibiting boosting by third parties, according to information from Agência Pública. In a test by Amnesty International, eight of 15 ads containing electoral disinformation were approved by Facebook, including one advocating a “military revolution,” and the account did not even have identity verification. The British NGO Ekō reported a similar result: 13 of 15 fake ads, created with AI and paid for from the US, were approved. Meta then responded that the sample was “too small” and that the ads were never displayed. The response might be reasonable as a methodological criticism, but it is incomplete, since the test showed that the door was open.
This matters even more because campaigns have become dependent. Meta, Google and the payment intermediaries have already earned R$838 million from Brazilian elections since 2014, and a campaign coordinator interviewed by Motoryn (2026), in a special report for Ctrl+Z, says that 80% of her campaign’s budget now goes to Meta, with no real point of contact inside the company. The literature has already classified this arrangement as one of the roots of algorithmic harm: platforms that strengthen their own power over users and markets, and opaque, discriminatory advertisers made possible by the ad infrastructure. With few distinct platforms holding the same power, there is an even greater bias toward only one side.
Algorithmic selectivity: what is known and what opacity prevents us from knowing
PL deputies total 210 million followers, against 72 million for PT deputies and allies. Flávio Bolsonaro gained 1.2 million followers since the first round, Lula 392 thousand, and the former’s posts averaged 448 thousand interactions against 102 thousand, according to Aline Calamara (2026). The PT claims, in an internal study, that Flávio’s page has 2.96 times more engagement than Lula’s with 17.2% fewer followers. Minister Marco Aurélio Bellizze (TSE) gave Meta 48 hours to prove it had treated both candidates equally, and also requested the moderation logs and clarifications on “anomalies” in the view metrics.
We should be rigorous: these numbers do not allow us to separate organic engagement, algorithmic recommendation, purchased reach and irregular practices. Studies show that different platforms privilege different sources (Twitter, in 2020, at the time of the analysis, privileged hyperpartisan ones; Google, liberal ones) and that the problem changes depending on the metric. But this also changes over time, as do the platforms themselves and the positions of their leaders – such as Twitter becoming “X” in the Musk Era, increasingly turning into a spreader of hate speech. Some authors also note that no one, neither academia nor intelligence agencies, can reliably measure whether campaigns like these change votes, precisely because the data is under the companies’ control. That is the point: those who allege favoritism cannot prove it, and those who deny it cannot be audited. CGI.br’s Guideline 8 and the article by Gray et al. (2024) on “good public policy” point to the way out: access guaranteed by law to accredited researchers, not by mere corporate goodwill.
The experiences of, above all, 2018 and 2022 should already have taught us something. Scholars have been studying and publishing on this for even longer. It was already known that the platforms applied here the playbook of the 2020 American elections, treating political violence as “electoral disinformation” rather than as the call for a military coup that it was in Brazil, where the memory of the 1964 dictatorship is still an open dispute: the platforms moderated without historical memory; but we have it. Or at least we should.
Most of the calls for military intervention, at the time, went entirely unmoderated, and the planning of January 8 took refuge on Telegram, which had no policy whatsoever for the case, in addition to streams on YouTube, Discord, Twitch and other networks. We already knew, looking at the 2022 election, that the companies’ reports said very little about the actual implementation of their policies. De Keulenaar and Santos Jr (2025) call this “normative displacement”: standards shaped by another country, applied without the history of the country where they take effect.
Sovereignty, data centers and the geopolitics behind the feed
Let us look at infrastructure. Brazil is competing to become Latin America’s computing hub for AI, and Rio AI City (US$65 billion) and other projects await approval of Redata. According to Bloomberg, some of the large companies are waiting for the end of the election before committing, in a context of tension between Lula and Trump, who imposed tariffs in July. Both candidates support, to some extent, incentives for data centers. The biggest difference lies, however, in what Washington expects from each of them.
Abin raised the possibility of US interference to the “criticality level,” as the US sees the Lula government as an obstacle to its hegemony in the region; the Brazilian government also cites the meeting held by the consulate in São Paulo with right-wing influencers, the State Department report on criminal factions, and the demands, revealed by Estadão, regarding “political dissidents” in the elections, as seen in the BBC News Brasil report. In Revista Liberta, Green (2026) reads the tariffs, the support for electoral fraud claims and the denial of visas as parts of a single offensive. We return, then, to what the literature already explained as a method: external interference rarely hacks voting machines (not literally), but instead takes existing fissures and widens them. Gorwa (2024) had also observed that the absence of pressure from home governments on other countries was a peculiarity of the cases he studied and that it could change, and the Brazilian case suggests that it has. Zuckerberg announced in January 2025, for example, that he would work with the Trump government against countries that pressured American companies, citing “secret courts” in Latin America. So it has indeed changed. But it has changed for the worse.
Proving that Meta and Google favor Flávio Bolsonaro in order to serve infrastructure interests would require data that no one has. It would be an extremely high burden for society as a whole. The Federal Police closed the investigation into foreign financing of his campaign, and the existence of illegal financing has not been proven. What is documented, and what we can affirm, is that there is a convergence: a candidate who declares he wants to get closer to Washington, an American government that treats Brazilian platform regulation as aggression, companies that decide the reach of the debate without audit, and a Brazil whose digital sovereignty guidelines (legal representation, data access, control of strategic data, national technology) remain on paper (CGI.br, 2026, guidelines 1 to 5 and 22).
Judicialization as a shortcut
There is, moreover, the other side of the coin. On Sunday (11), TSE president Kassio Nunes Marques granted Flávio’s request and ordered WhatsApp to suspend, within three hours, the “Exército do Lula” channel, run by André Janones, until the homologation of the second round. The decision bypassed the corregedor, who the day before had given the parties five days to respond. Flávio’s campaign alleges that the channel coordinated disinformation, which Janones denies, arguing that the channel was only at the stage of adding profiles and that no news had been disseminated. Days earlier, the same minister had also suspended PT advertising that linked Flávio to the Master case. There were twists, and Minister Cueva issued a preliminary injunction to keep the channel up, which was then revoked by TSE President Nunes Marques, precisely 48 hours before the vote on ending the 6x1 work schedule, coincidentally or not.
There may be legitimate reasons to limit possible disinformation coordination, and the PT is also appealing to the TSE against Meta. But a single-judge suspension, prior to the defense and with effect throughout the entire second round, is the opposite of what the CGI.br guidelines call for: adversarial proceedings, proportionality, removal as a last resort (Guideline 39). Several profiles are also being banned or having their reach restricted without clear justification, which has been reported to organizations and activists such as Ctrl+Z (“Tira a Mão”) and Código Não Binário (Trava Hacker – platform and hashtag “De Olho na Meta”).
The real problem is not a choice between banning and doing nothing. It is arbitrary removal. Taking down pages of Lula supporters at the request of an adversary who is favored by the digital environment sets the precedent that due process depends on who is asking. And when the platform (remember: private and foreign) decides on its own, the problem is even greater: remember that Discord scored 0.12 a livestream that preceded the broadcast suicide of a teenage girl, with a trigger threshold of 0.95, without anyone outside being able to check. A hidden criterion with an absent or difficult appeal, in any field, can be fatal. To democracy and to life.
In short
We went past the “left versus right” dilemma long ago. It is true that the 2026 asymmetry favors those with more followers, more money and more friends in Washington. But there is also a problem of power without accountability. Brazil already knows what to do: PL 2630 died in 2023 and left the country with a Marco Civil designed for another era, still trying to be revisited and rethought at the expense of the STF, while the CGI.br guidelines offer a ready-made multistakeholder roadmap (2026, guidelines 6, 8, 10, 39, 43 and 46), but without the force of law. What is lacking is political will, enforcement power and courage in the face of those who now control the feed and the cloud.
A country that audits the voting machines (and worries excessively about printed ballots), but outsources the feed, controls the end of the election and rents out the beginning. Sovereignty that only begins on voting day is not sovereignty.
To audit with rigor the act of pressing the green button, while ignoring the process through which the vote is formed – what the voter read, saw and felt until reaching it, moderated and boosted by private foreign companies –, with trust in those who profit as the only answer, is still to leave the beginning in the hands of third parties.
The voting machines will remain ours. The feed will not.